Mato Grosso do Sul | 24 de agosto de 2026
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Vereadora Luiza entrega três títulos em homenagem a mulheres que fazem história em Campo Grande

Em comemoração aos 127 anos de Campo Grande, a vereadora Luiza Ribeiro participa, nesta terça-feira (25), da tradicional Sessão Solene de outorga do Título de Cidadão Campo-Grandense, do Título de Cidadão Benemérito e da Medalha do Mérito Legislativo “José Antônio Pereira”. A cerimônia será realizada às 19 horas, no Centro de Convenções Rubens Gil de Camilo, no Parque dos Poderes.

Na ocasião, Luiza entregará três homenagens a mulheres que têm suas trajetórias marcadas pela defesa da cultura, dos direitos humanos, da igualdade racial, dos povos indígenas e da liberdade religiosa. Serão reconhecidas Romilda Neto Pizani, Mirian Marcos Tsibodowapre, conhecida como Mirian Terena, e Inocência Recalde Meaurio, a Mãe Inocência.

Para a vereadora, a homenagem representa o reconhecimento público de trajetórias que ajudam a construir uma Campo Grande mais plural, democrática e comprometida com a valorização de suas diferentes identidades e manifestações culturais.

“São três mulheres com histórias muito diferentes, mas que têm algo fundamental em comum: dedicaram suas vidas à defesa de direitos, da cultura, da identidade e da dignidade de outras pessoas. Homenageá-las no aniversário de Campo Grande é também reconhecer que a nossa cidade foi e continua sendo construída por muitas mãos, muitas histórias e muitas vozes”, afirma Luiza Ribeiro.

Romilda Pizani: uma vida dedicada à igualdade racial, ao combate ao racismo estrutural e à cultura

Educadora social, ativista do movimento negro, produtora cultural e atriz, Romilda Neto Pizani receberá o Título de Cidadã Benemérita. Nascida em Campo Grande, Romilda atua há mais de 26 anos no movimento negro e se tornou uma das principais referências na defesa da igualdade racial e das políticas culturais em Mato Grosso do Sul.

Sua trajetória é marcada pela luta contra o racismo estrutural, pela defesa dos direitos da população negra e pela valorização da cultura afro-brasileira. Ao longo de sua atuação, participou de articulações pela implementação de políticas públicas de inclusão, educação antirracista e valorização da história e da cultura afro-brasileira.

Romilda também ocupou espaços importantes na formulação e discussão de políticas públicas, como a presidência e coordenação do Fórum Permanente das Entidades do Movimento Negro de Mato Grosso do Sul, a atuação na Subsecretaria de Políticas Públicas para a Promoção da Igualdade Racial e a vice-presidência do Conselho Estadual de Cultura.

Na área cultural, foi coordenadora do Fórum Municipal de Cultura de Campo Grande e integrante do Fórum Estadual de Cultura, além de atuar como atriz, produtora e articuladora cultural.

Seu trabalho já foi reconhecido com diferentes homenagens. Em 2023, recebeu o Prêmio “Geraldo Henrique da Costa”, por sua atuação em defesa da igualdade racial e das ações afirmativas. Em 2026, recebeu o Diploma da Academia de Letras do Brasil, Seccional Campo Grande, e o título de Doutora Honoris Causa da Faculdade FACTEFERJ.

Mirian Terena: protagonismo indígena e defesa das mulheres

Também receberá o Título de Cidadã Benemérita a liderança indígena Mirian Marcos Tsibodowapre, conhecida como Mirian Terena.

Nascida em Campo Grande, em 1961, Mirian é uma das referências do povo Terena na defesa dos direitos dos povos originários, especialmente das mulheres indígenas em contexto urbano. É uma das fundadoras do Conselho Nacional de Mulheres Indígenas (CONAMI) e atualmente integra o Conselho Estadual dos Direitos da Mulher de Mato Grosso do Sul.

Moradora de Campo Grande e integrante da Comunidade Urbana Peyokaxé, Mirian atua há décadas na promoção da cidadania indígena e na defesa de políticas públicas relacionadas à saúde, educação, moradia, preservação cultural e combate ao preconceito.

Sua atuação também é voltada ao fortalecimento do protagonismo das mulheres indígenas, à valorização do artesanato tradicional, à geração de renda, à preservação dos saberes ancestrais e à transmissão da cultura para as novas gerações.

Em 2022, participou da criação do Coletivo de Mulheres Indígenas em Contexto Urbano, iniciativa voltada a garantir voz e participação às mulheres indígenas na construção de políticas e ações destinadas às próprias comunidades. Em 2023, o coletivo realizou um encontro na Feira Permanente das Mulheres Indígenas de Campo Grande para marcar o Dia Internacional da Mulher Indígena.

A trajetória de Mirian representa também a presença e a contribuição dos povos indígenas na construção da identidade de Campo Grande, uma cidade marcada pela convivência de diferentes povos, culturas e tradições.

Mãe Inocência: 56 anos de sacerdócio e combate à intolerância religiosa

Já Inocência Recalde Meaurio, conhecida como Mãe Inocência, receberá o Título de Cidadã Campo-Grandense, em reconhecimento à sua trajetória dedicada à Umbanda, à caridade, ao diálogo inter-religioso e ao combate à intolerância religiosa e ao racismo.

Nascida em Porto Murtinho, em 1951, Mãe Inocência celebra 56 anos de sacerdócio na Umbanda. Há 50 anos, em 2 de fevereiro de 1976, fundou o Terreiro de Umbanda Cacique Pirauê, tornando-se uma das pioneiras na construção de espaços de diálogo e valorização das religiões de matriz africana em Mato Grosso do Sul.

Ao longo de sua trajetória, Mãe Inocência se destacou pela promoção do diálogo inter-religioso como instrumento de enfrentamento à intolerância religiosa e de disseminação de conhecimento sobre a Umbanda. Sua atuação estabeleceu pontes com diferentes instituições religiosas e movimentos de diálogo ecumênico.

À frente do Terreiro de Umbanda Cacique Pirauê, tem como padroeira Mãe Iemanjá, símbolo de força maternal, acolhimento e proteção espiritual. Sua trajetória também representa o protagonismo das mulheres na preservação das tradições e da ancestralidade das religiões de matriz africana.

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