O decreto de intervenção no Consórcio Guaicurus feito pela Prefeitura de Campo Grande, nesta terça-feira (16), precisa ser acompanhada de medidas concretas e urgentes para melhorar a qualidade do transporte coletivo oferecido à população. A avaliação é da vereadora Luiza Ribeiro (PT), que defende que a ação do município vá além da apuração de irregularidades e resulte em investimentos capazes de enfrentar os principais problemas enfrentados diariamente pelos usuários.
Segundo a parlamentar, a prefeitura, na condição de poder concedente do serviço, já conhece as dificuldades do sistema e precisa aproveitar o período de intervenção para tomar decisões que garantam melhorias efetivas.
“A intervenção não pode servir apenas para investigar como está o Consórcio. O município já tem informações suficientes sobre a situação do transporte coletivo. O que a população espera agora são soluções concretas para melhorar o serviço”, afirma Luiza Ribeiro.
Entre as medidas consideradas prioritárias pela vereadora está a adesão imediata ao programa PAC Seleções – Renovação da Frota, do Governo Federal. Atualmente, 197 ônibus circulam com idade acima do limite prudencial de uso. Em janeiro de 2027, outros 96 veículos entrarão nessa condição, totalizando 293 ônibus envelhecidos em circulação.
“Não existe transporte coletivo de qualidade sem veículos em condições adequadas. A principal medida neste momento é iniciar imediatamente a renovação da frota”, defende.
O programa federal oferece financiamento com juros de 6% ao ano, carência de 48 meses para início do pagamento e prazo de amortização de até 120 meses, condições que, segundo a vereadora, permitem a substituição dos ônibus sem comprometer a sustentabilidade financeira do sistema.
Outra prioridade apontada por Luiza é a melhoria da infraestrutura urbana utilizada pelo transporte coletivo. A parlamentar defende que os recursos já disponibilizados pela Caixa Econômica Federal para obras de pavimentação sejam direcionados para aproximadamente 40 quilômetros de vias utilizadas pelos ônibus e que ainda apresentam condições inadequadas de tráfego.
“Também não é possível oferecer um transporte eficiente com ruas sem pavimentação ou com o asfalto deteriorado. Os investimentos precisam priorizar os corredores e itinerários do transporte coletivo, beneficiando milhares de trabalhadores e estudantes que dependem dos ônibus todos os dias”, destaca.
Luiza Ribeiro também reforça a defesa da ampliação das políticas de acesso ao transporte público, incluindo a construção de caminhos que permitam avançar no debate sobre a tarifa zero, medida que vem sendo adotada em diversas cidades brasileiras como instrumento de inclusão social e mobilidade urbana.
A vereadora integrou a CPI do Transporte realizada pela Câmara Municipal em 2025, que analisou a situação do sistema de transporte coletivo da Capital. Para ela, entretanto, o momento exige menos diagnósticos e mais ações concretas para garantir um serviço digno, seguro e eficiente para a população de Campo Grande.