A realização da COP15 em Campo Grande reforça um dos maiores patrimônios ambientais da cidade: sua biodiversidade. Para a vereadora Luiza Ribeiro (PT), a escolha da capital sul-mato-grossense para sediar o encontro internacional também dialoga com uma conquista importante para o município, o reconhecimento oficial como Capital do Turismo de Observação de Aves.
A cidade recebeu esse título por meio da Lei nº 7.023/2023, de autoria da parlamentar, que instituiu ainda o Dia Municipal da Observação de Aves, celebrado em 28 de abril. Campo Grande reúne mais de 400 espécies de aves catalogadas, incluindo espécies raras e migratórias, o que a transforma em um dos principais destinos do país para a prática do birdwatching.
Entre as aves emblemáticas registradas na cidade estão o falcão-peregrino, o udu-de-coroa-azul, o tucano-toco e as famosas araras, especialmente a arara-canindé, símbolo do município. Diversos pontos da capital se tornaram hotspots para observadores, como o Parque das Nações Indígenas, o Parque Estadual do Prosa e a Lagoa Itatiaia, que atraem moradores, pesquisadores e turistas interessados em registrar a biodiversidade local.
Para Luiza Ribeiro, a observação de aves vai além do turismo, trata-se de uma prática de educação ambiental, conservação e conexão com a natureza.
“Campo Grande tem uma riqueza natural extraordinária. A observação de aves nos ensina a olhar para o ambiente com mais cuidado e responsabilidade. Ver a cidade sediando a COP15 e sendo reconhecida também por essa vocação ambiental é motivo de muita alegria”, afirma a vereadora.
A pauta também dialoga com o trabalho da pesquisadora campo-grandense Simone Mamede, professora e referência nacional na área de biodiversidade urbana e observação de aves. Simone participará da programação da COP15 com o projeto de extensão “Pré-COP15: Diálogos e Passarinhadas”, selecionado para integrar o Espaço Brasil na Blue Zone do evento.
Seus estudos ajudaram a projetar a capital como referência nacional na observação de aves, destacando o papel das áreas verdes no equilíbrio ambiental e na qualidade de vida nas cidades. Um dos desdobramentos desse trabalho é o projeto Passarinhar, que transforma a observação de aves em uma experiência educativa e acessível, integrando áreas como Biologia, Geografia, Direito, Turismo e Educação.
“Sou sul-mato-grossense e estar em Campo Grande durante a COP15 me traz reflexões sobre o nosso papel como cidadãos planetários, na busca pela conservação da Terra com qualidade de vida para todos. Estar na Capital da Observação de Aves, cidade onde vivi e para a qual contribuí em diversas frentes pela conservação ambiental, é muito significativo”, destaca a pesquisadora.
Passarinhadas durante a COP15
Durante o período da COP15, o público poderá participar das chamadas “passarinhadas”, atividades abertas de observação de aves organizadas pela Universidade Federal do Tocantins, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e pelo Instituto Mamede, por meio do projeto Vem Passarinhar.
As atividades acontecem nos dias 24 e 27 de março, em Campo Grande, e têm como objetivo aproximar a população das espécies migratórias e promover a educação ambiental na prática.
Para Luiza Ribeiro, iniciativas como essa mostram que a cidade reúne ciência, participação social e riqueza natural, elementos fundamentais para o debate global sobre biodiversidade que acontece na COP15.
“Campo Grande demonstra que é possível conciliar cidade, natureza e conhecimento. A observação de aves é um convite para que cada pessoa se torne também guardiã da biodiversidade”, conclui a vereadora.