Vereadora cobra transparência sobre recursos públicos, redução de quase 70% no orçamento para recuperação das vias e suspeitas de irregularidades nos serviços
A vereadora Luiza Ribeiro (PT) apresentou pedido de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Municipal de Campo Grande para investigar possíveis irregularidades nos contratos e na execução dos serviços de tapa-buracos na Capital. A iniciativa busca esclarecer a aplicação dos recursos públicos, a qualidade dos serviços prestados e as razões para a deterioração das ruas e avenidas da cidade.
A situação tem provocado indignação entre os moradores, que convivem diariamente com ruas esburacadas, prejuízos materiais, riscos de acidentes e dificuldades de deslocamento. Em bairros como Aero Rancho, Vila Planalto, Jardim Itatiaia, Estrela Dalva e Jardim TV Morena, moradores chegaram a improvisar reparos nas vias utilizando terra, pedras e entulhos diante da demora do poder público.
Um dos pontos mais preocupantes destacados pela parlamentar é a redução de quase 70% na previsão orçamentária destinada à modernização e requalificação das vias urbanas. Enquanto em 2025 estavam previstos mais de R$ 132 milhões, para 2026 o valor caiu para pouco mais de R$ 40 milhões.
A proposta também considera as investigações conduzidas pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS). Conforme informações divulgadas pela imprensa, o órgão investiga 12 ações de improbidade administrativa relacionadas aos serviços de tapa-buracos. A Operação Buraco Sem Fim apura suspeitas de fraudes em contratos, medições irregulares e pagamentos por serviços parcialmente executados ou não realizados.
Outro questionamento diz respeito à participação de Campo Grande no Consórcio CENTRAL MS, que dispõe de uma usina de pavimentação asfáltica com capacidade anunciada de produzir 120 toneladas por hora, equipamento que poderia contribuir para reduzir custos e ampliar a recuperação das vias públicas.
A dimensão do problema também aparece nas demandas encaminhadas à Câmara Municipal. Somente no primeiro semestre de 2026, das 24.673 indicações apresentadas pelos vereadores à Prefeitura, quase 9 mil foram relacionadas à necessidade de serviços de tapa-buracos.
Luiza Ribeiro também cobra explicações da administração da prefeita Adriane Lopes sobre a ausência de resposta a um requerimento aprovado pela Câmara, que solicitava informações detalhadas sobre a execução desses serviços.
Para a parlamentar, a CPI é necessária para garantir transparência, identificar responsabilidades e esclarecer como os recursos destinados à manutenção das ruas estão sendo utilizados.
A proposta prevê uma investigação inicial de 120 dias, com análise de contratos, investimentos, execução dos serviços e possíveis irregularidades.
Mais do que investigar contratos, a iniciativa pretende enfrentar um problema que afeta diretamente a segurança, a mobilidade e a qualidade de vida da população campo-grandense. Afinal, a manutenção das ruas é um serviço público essencial, e a população tem o direito de saber como seu dinheiro está sendo aplicado.