Em discurso pela oposição, vereadora Luiza evidencia crise de gestão em Campo Grande e pede mudanças urgentes

Durante a sessão inaugural do Poder Legislativo, realizada na manhã desta segunda-feira (02), a vereadora Luiza Ribeiro, líder da bancada do PT na Câmara Municipal, fez um contundente discurso pela oposição, no qual evidenciou a grave crise de gestão enfrentada por Campo Grande.

Segundo a parlamentar, a situação vivida pela Capital reflete diretamente na reprovação da atual administração municipal por mais de 80% da população, conforme apontam pesquisas recentes. Em sua fala, Luiza destacou que reconhecer essa realidade é uma obrigação democrática e constitucional do Parlamento.

“É nossa obrigação democrática e constitucional trazer aqui um pouco da fala das pessoas da nossa cidade. As pesquisas indicam que cerca de 80% da população, lamentavelmente, reprova a gestão municipal. E não estou isentando nem a mim, nem a bancada da oposição, muito menos esta Câmara. Não se trata de uma visão da oposição ou da situação, mas de problemas reais que a cidade precisa enfrentar”, afirmou.

A vereadora ressaltou que não é possível iniciar o ano legislativo ignorando a dura realidade vivida pela população, sob pena de o Legislativo falhar em sua função de representar os interesses do povo. Entre os principais pontos abordados, Luiza destacou o colapso do transporte coletivo urbano, que atinge principalmente as mulheres.

“São as mulheres, em sua maioria negras e pardas, que utilizam diariamente o transporte coletivo, chegando muito cedo aos terminais para trabalhar. Elas enfrentam ônibus ruins, sujos, caros e que chegam a chover dentro. Essa é uma responsabilidade nossa e não podemos sossegar enquanto essa realidade não mudar”, pontuou.

Na área da saúde, a parlamentar denunciou a grave crise de vagas hospitalares, que coloca em risco a vida da população, além da precarização dos serviços e da falta de medicamentos nas unidades básicas, UPAs, CRS, CAPS e na rede de saúde mental. “Não é possível ser indiferente à dor das pessoas, das famílias, das mulheres, das crianças e das mães atípicas, que buscam atendimento e não encontram o mínimo que é obrigação constitucional do município oferecer”, disse.

Luiza também denunciou a situação da Santa Casa, que enfrenta risco de quase falência em razão da falta de pagamento de dívidas por parte da Prefeitura, agravando ainda mais a crise na assistência hospitalar da Capital.

Outro ponto de forte crítica foi o desmonte das políticas de assistência social durante a gestão da prefeita Adriane Lopes. De acordo com a vereadora, programas essenciais foram encerrados ou desmobilizados, como o Criança Feliz e o Instituto Mirim, deixando famílias vulneráveis sem amparo estatal e contribuindo para o aumento da violência contra crianças e adolescentes. Ela também destacou a falta de estrutura dos conselhos tutelares para enfrentar essa realidade.

Em outro momento do discurso, a líder do PT ressaltou que a reprovação da gestão ocorre apesar de Campo Grande contar com um povo historicamente bom pagador de impostos. Em 2025, o município arrecadou quase R$ 8 bilhões, um recorde histórico.

“O povo cumpriu honestamente sua obrigação pagando impostos, mas não recebe serviços equivalentes. Ao contrário”, afirmou.

Luiza criticou duramente a postura da prefeita no início do ano, classificando como um “golpe contra o contribuinte” a emissão de boletos do IPTU e da taxa de lixo com cobranças consideradas ilegais. A medida provocou a mobilização de entidades como a Associação dos Advogados Independentes, a OAB, a Associação Comercial e a Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas, além da criação de uma comissão na Câmara Municipal, que resultou em um projeto de lei analisado em sessão extraordinária durante o recesso.

Segundo a vereadora, a inflexibilidade da prefeita no diálogo levou ao ajuizamento de mais de 40 ações judiciais e culminou no veto aos projetos que buscavam corrigir a injustiça tributária.

Para a oposição, a atual gestão municipal segue na contramão dos interesses públicos e das necessidades reais da população de Campo Grande. “Isso é algo que esta Câmara não pode permitir”, concluiu Luiza Ribeiro, reafirmando que a oposição atuará com firmeza, convicção e respeito institucional, mas sem se omitir diante da crise vivida pela cidade.

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