A vereadora Luiza Ribeiro avança na articulação para abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Municipal de Campo Grande, destinada a investigar possíveis irregularidades nos contratos e na execução dos serviços de tapa-buracos na Capital. O requerimento já reúne sete assinaturas e propõe uma investigação inicial de 120 dias, com análise dos contratos, recursos investidos, medições, pagamentos e serviços efetivamente realizados.
Além de Luiza, assinaram o requerimento os vereadores Jean Ferreira e Landmark, da bancada do PT, Marquinhos Trad, Maicon Nogueira, André Salineiro e Dr. Francisco.
A proposta surge diante de um problema que ultrapassa o desconforto cotidiano e compromete a segurança, a mobilidade e o patrimônio da população. Buracos espalhados pelas ruas provocam danos aos veículos, dificultam o transporte público e colocam em risco motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres.
A necessidade de fiscalização ganha ainda mais relevância diante das investigações conduzidas pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), que, conforme as informações reunidas pela parlamentar, já ajuizou 12 ações de improbidade administrativa relacionadas aos serviços de tapa-buracos. A Operação Buraco Sem Fim apura suspeitas de fraudes contratuais, irregularidades nas medições e pagamentos por serviços parcialmente executados ou não realizados.
Outro dado que preocupa é a redução de quase 70% na previsão orçamentária destinada à modernização e requalificação das vias urbanas. Enquanto em 2025 estavam previstos mais de R$ 132 milhões, para 2026 o valor caiu para pouco mais de R$ 40 milhões. A redução exige esclarecimentos sobre as prioridades da administração municipal e seus possíveis impactos na manutenção da malha viária.
A dimensão do problema também aparece nas demandas encaminhadas à Câmara. Somente no primeiro semestre de 2026, das 24.673 indicações apresentadas pelos vereadores à Prefeitura, quase 9 mil estavam relacionadas à necessidade de serviços de tapa-buracos, demonstrando a recorrência das reclamações em diferentes regiões da cidade.
Luiza Ribeiro também cobra da administração da prefeita Adriane Lopes respostas a um requerimento aprovado pela Câmara que solicitava informações detalhadas sobre a execução dos serviços e que, segundo a parlamentar, permanece sem resposta.
Para Luiza Ribeiro, a questão central é garantir transparência, “A população de Campo Grande precisa saber quanto está sendo gasto, como os serviços são executados e por que os problemas persistem. Afinal, a manutenção das ruas é um serviço público essencial, e a população tem o direito de saber como seu dinheiro está sendo aplicado ",argumenta.