A denúncia-crime apresentada pela vereadora Luiza Ribeiro (PT) à Polícia Federal, em 6 de julho de 2026, levou à investigação de possíveis irregularidades na aplicação de recursos previdenciários do Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) de Campo Grande. Nesta terça-feira (25), a Polícia Federal deflagrou a Operação Presciência para apurar os fatos.
Luiza protocolou a denúncia na Superintendência Regional da Polícia Federal em Campo Grande, levando às autoridades informações e documentos sobre a aplicação de R$ 1,2 milhão do Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande (IMPCG) em Letras Financeiras do Banco Master, além de questionamentos sobre a atuação de agentes públicos municipais e o credenciamento da instituição para operações de crédito consignado.
A partir da denúncia apresentada pela vereadora, a Polícia Federal passou a investigar os fatos e, nesta terça-feira (25), deflagrou a Operação Presciência. Foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão, inclusive em órgãos públicos municipais, além de medidas de quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados. A operação foi autorizada pelo Juízo da 3ª Vara Federal de Campo Grande.
De acordo com a Polícia Federal, a investigação apura possíveis irregularidades na aplicação de recursos do RPPS de Campo Grande. A corporação informou que o procedimento teve como base um relatório elaborado pela Coordenação de Auditoria do Departamento dos Regimes Próprios do Ministério da Previdência Social, que apontou possíveis irregularidades no processo que resultou no investimento de R$ 1,2 milhão pelo IMPCG em letras financeiras de um banco privado.
A PF investiga, em tese, a possível prática dos crimes de gestão temerária, corrupção passiva e corrupção ativa.
Na denúncia apresentada à Polícia Federal em 6 de julho, Luiza Ribeiro apontou que o investimento de R$ 1,2 milhão ocorreu apesar de questionamentos feitos por integrantes do Conselho Deliberativo do IMPCG.
A representação apresentada pela vereadora reproduziu trechos da ata da reunião em que os conselheiros discutiram a aplicação. Nos registros, integrantes do Conselho demonstraram preocupação com a segurança do investimento e defenderam que os recursos previdenciários fossem destinados a instituições financeiras mais sólidas.
Esses documentos fizeram parte do material levado por Luiza Ribeiro à Polícia Federal quando a vereadora protocolou a denúncia.
Além do investimento dos recursos previdenciários, a denúncia apresentada por Luiza questionou a atuação do Banco Master nas operações de empréstimos e cartões consignados com descontos em folha de pagamento de servidores ativos, aposentados e pensionistas do município.
A vereadora também apresentou relatos de servidores sobre possíveis descontos indevidos relacionados a empréstimos e cartões consignados e pediu que as autoridades investigassem eventual favorecimento à instituição financeira e o cumprimento das regras municipais para o credenciamento do banco. Para Luiza Ribeiro, a operação deflagrada pela Polícia Federal demonstra a importância da denúncia apresentada e da documentação encaminhada às autoridades.
“Quando fomos à Polícia Federal, levamos documentos, atas, informações e apontamentos que mostravam que havia muita coisa a ser esclarecida. Pedimos uma investigação justamente porque entendemos que os recursos da previdência dos servidores não poderiam ficar sem respostas. Agora, a Polícia Federal está investigando e buscando os elementos necessários para esclarecer os fatos”, afirmou a vereadora.
Segundo Luiza, o objetivo é garantir que todos os responsáveis sejam identificados e que o patrimônio dos servidores seja protegido.
“Estamos falando do dinheiro que garante a aposentadoria e a pensão de milhares de trabalhadores. A nossa denúncia cumpriu o papel de provocar a investigação e levar às autoridades elementos que precisavam ser apurados. Agora queremos que a investigação avance, que todos os fatos sejam esclarecidos e que, havendo responsáveis por irregularidades, eles respondam por seus atos”, completou.
A Operação Presciência segue sob investigação da Polícia Federal. As medidas determinadas pela Justiça buscam reunir documentos e elementos para esclarecer as circunstâncias da aplicação dos recursos do RPPS e eventual responsabilidade dos envolvidos.