Mato Grosso do Sul | 30 de maio de 2026
Mato Grosso do Sul | 30 de maio de 2026

Gestão fiscal ineficiente: despesas da Prefeitura crescem mais do que o dobro da arrecadação e e Luiza Ribeir o cobra investigação sobre contratos públicos

A prestação de contas da Prefeitura de Campo Grande referente ao primeiro quadrimestre de 2026, realizada na manhã desta sexta-feira (29), na Câmara Municipal, acendeu um alerta sobre a situação fiscal do município. Durante a audiência pública conduzida pelo secretário municipal de Fazenda, Isaac José de Araújo, a vereadora Luiza Ribeiro (PT) criticou duramente o crescimento acelerado das despesas da administração municipal, classificando a gestão fiscal como “temerária” e marcada por “total descontrole” entre arrecadação e execução dos serviços públicos.

De acordo com os dados apresentados pela Prefeitura, a receita do município cresceu 4,32% nos quatro primeiros meses deste ano, passando de R$ 1,23 bilhão no mesmo período de 2025 para R$ 1,28 bilhão em 2026. Entretanto, as despesas tiveram aumento muito superior, saltando 10,12%, saindo de R$ 958,6 milhões para R$ 1,055 bilhão.

Para Luiza Ribeiro, os números demonstram que o problema da administração não está na arrecadação, mas na forma como os recursos públicos estão sendo utilizados.

“É temerária a gestão fiscal apresentada pelo secretário de Finanças na prestação de contas do primeiro quadrimestre, que demonstra um total descontrole da gestão da receita e da despesa da Prefeitura de Campo Grande. Os números mostram que a arrecadação foi muito bem. Nós temos uma tradição do contribuinte de pagar o imposto e, mesmo com dificuldade, tivemos crescimento da receita nesse quadrimestre. Mas há um total descontrole no pagamento das despesas”, afirmou a vereadora.

Durante a audiência, Luiza destacou que a população segue reclamando da precariedade dos serviços públicos, mesmo diante do aumento expressivo das despesas da Prefeitura. Segundo ela, há indícios graves de inconsistência entre os valores pagos pela administração municipal e os serviços efetivamente entregues à população.

A parlamentar citou problemas em áreas como tapa-buraco, iluminação pública, limpeza urbana e saúde pública. Sobre os contratos de tapa-buraco, ela lembrou que já existem investigações em andamento.

“No serviço de tapa-buraco, inclusive, já existe ação criminal envolvendo servidores públicos e fornecedores da Prefeitura, com sete pessoas presas neste momento. Isso é muito grave e precisa ser lembrado”, pontuou.

A vereadora também questionou os investimentos em iluminação pública e limpeza urbana.

“O serviço de iluminação pública é evidente que é pago, mas a população não vê o resultado. Na limpeza urbana também há suspeitas de desvios, porque a Prefeitura paga valores enormes e a cidade continua muito suja e abandonada”, criticou.

Outro ponto enfatizado por Luiza Ribeiro foi a situação da saúde pública. Segundo os dados apresentados na audiência, a saúde consumiu 22,80% da receita no quadrimestre, percentual acima do mínimo constitucional exigido pela legislação federal. Ainda assim, segundo a vereadora, os serviços seguem sem atender adequadamente a população.

“Faltam reagentes para exames, materiais médicos, odontológicos e medicamentos nas UPAs, CRS e CAPS. Especialmente os remédios psicotrópicos não são encontrados pelas pessoas que precisam. Também há falta de consultas psicológicas, especialistas e vagas hospitalares”, denunciou.

Diante do cenário apresentado, a parlamentar defendeu uma investigação aprofundada dos contratos da administração municipal e voltou a cobrar a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar a situação da saúde pública em Campo Grande.

“O que nós estamos suspeitando é que os recursos arrecadados estão sendo pagos para empresas fornecerem serviços e produtos que não estão sendo entregues. Isso demonstra um verdadeiro desvio de recursos públicos. É necessário que os órgãos de fiscalização façam um pente fino nos contratos de limpeza urbana, iluminação pública, tapa-buraco e saúde. E é mais do que necessária, neste momento, a instauração de uma CPI da Saúde para ajudar a descobrir onde estão sendo colocados os recursos públicos de Campo Grande. Porque há arrecadação forte, mas o serviço não aparece. A despesa cresce e o recurso não aparece”, concluiu.

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