Mato Grosso do Sul | 30 de abril de 2026
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3 anos da lei que instituiu Campo Grande como a Capital do Turismo de Observação de Aves e o Dia Municipal de Observação de Aves

Por Maristela Benites – Diretora do Insituto Mamede

Essa lei vem pra coroar uma iniciativa que começou em 2009, ainda de forma tímida, quando saíamos entre poucos amigos pra observar aves pelas áreas verdes de Campo Grande (Simone Mamede, Maristela Benites, André Oliveira, Flávia Batista e Cintia Possas). Nesse mesmo período, especificamente de 2005 até 2014, o Instituto Mamede ministrava curso de formação de condutores de visitantes do Parque Nacional das Emas, incluindo a observação de aves/birdwatching.

Mais tarde, em 2012, teve um curso de formação em observação de aves em Campo Grande para guias de turismo ministrado por Tietta Pivatto e Victor do Nascimento (o Vitinho). Desse período pra cá o grupo e o interesse pela observação de aves livres foi só aumentando. Em 2013 fizemos nosso primeiro Avistar MS, filiado ao grande evento de Observação de aves no Brasil que é o Avistar Brasil, cujo público no ano passado atingiu cerca de 15 mil pessoas. Em 2014, por ação de mobilização do Instituto Mamede, elegemos, através do voto popular, a ave-símbolo de Campo Grande que é a arara-canindé com a lei municipal aprovada em 2015 (Lei municipal 5.561/2015).

A lei 7.023/2023 celebra as aves em liberdade e estimula uma nova relação com a natureza, a partir de um contato respeitoso com as aves e a biodiversidade, e de valorização da vida. Não é só observar aves, mas percebê-las num contexto social e ambiental, onde estão, quando estão, por que estão, quem são, com quais espécies animais e vegetais se relacionam, a quais impactos estão submetidas e o grau de proteção delas no contexto da paisagem.

Essa política pública dá ênfase ao potencial da biodiversidade local e regional a ser explorado pelo turismo sem precisar extrair e exaurir o bem, ou seja, sendo sustentável. E a cada ano isso se confirma por meio de pessoas participantes de saídas e eventos de observação de aves (Passarinhadas, Big Day e BioAves, por exemplo). Neste ano tivemos uma COP sobre espécies migratórias e as aves em Campo Grande fascinaram os participantes.

Todavia, a lei não se limita ao turismo, aviturismo ou turismo de observação de aves, na verdade a prática da observação de aves começa pela educação, como educo meu olhar, meu sentir para perceber, conhecer e interagir com as aves? A partir dessa mudança cultural dada pela educação vem o interesse e o efeito sobre o turismo, a própria educação, a ciência, a cultura e a conservação.

Hoje, o turista, ou mesmo quem mora no estado, têm interesse em passarinhar (observar aves livres) em Campo Grande e a cidade deixou de ser apenas ponto de passagem, mas de parada para observar aves, isto é, há intencionalidade. Assim, a política não apenas reconhece esse potencial, mas ampara outras ações relacionadas à observação de aves seja na educação, que já vemos várias iniciativas, na cultura, na forma de uso dos espaços urbanos e naturais, e na ciência, pois ela também institui o Dia municipal da Observação de Aves. Queremos que essa prática cultural esteja cada vez mais arraigada no cotidiano das pessoas, pois faz bem à saúde individual e coletiva, faz bem ao planeta e ao clima, à economia e principalmente às próprias aves e a toda a sociobiodiversidade. Para tanto, as políticas públicas representam passo importante em direção a essas conquistas.

Foto: Simone Mamede

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