Vereadora Luiza cobra exoneração de diretor da Funesp após denúncia de violência doméstica

No mês em que se celebra a luta das mulheres por direitos e respeito, a vereadora Luiza Ribeiro (PT) voltou a cobrar providências da Prefeitura de Campo Grande diante de denúncias graves envolvendo integrantes do primeiro escalão da administração municipal. A parlamentar exige a exoneração imediata do diretor-presidente da Fundação Municipal de Esportes (Funesp) e ex-vereador, Sandro Trindade Benites, alvo de uma medida protetiva de urgência concedida pela Justiça com base na Lei Maria da Penha.

A decisão judicial foi proferida na noite deste sábado (7), em Campo Grande, após denúncia de violência psicológica no âmbito doméstico contra uma ex-namorada. Para a vereadora, é inadmissível que uma pessoa acusada de violência contra a mulher permaneça ocupando cargo de comando na estrutura da Prefeitura.

“Uma pessoa que já foi denunciada por violência doméstica, tendo inclusive medida protetiva expedida pela Justiça, não pode permanecer no comando de uma fundação pública. A Prefeitura de Campo Grande precisa retirar de seus quadros de direção pessoas envolvidas em crimes graves, especialmente aqueles que atingem mulheres, meninas e que envolvem violência sexual”, afirmou Luiza.

A parlamentar destaca que, na semana passada, já havia exigido a demissão do secretário municipal de Juventude, Paulo Lands, acusado de estupro de vulnerável e assédio sexual no ambiente de trabalho. Também cobrou a exoneração do pastor Douglas Alves Mandu, de 35 anos, que atua como coordenador de um Centro de Convivência de Idosos (CCI) e foi denunciado por estuprar uma adolescente de 15 anos em 2019. Atualmente com 21 anos, a vítima teria reunido forças recentemente para procurar as autoridades.

Segundo Luiza Ribeiro, a postura da prefeita em manter ou protelar decisões em relação a esses casos cria um cenário preocupante.

“A prefeita tem optado por um caminho perigoso de proteção aos acusados desses crimes graves, criando expedientes administrativos para mantê-los nos cargos e recebendo recursos públicos. Isso é incompatível com qualquer compromisso real de combate à violência contra as mulheres”, afirmou.

Sobre Sandro Benites, a vereadora ressalta que, além da ocorrência recente, há relatos de que ele já respondeu anteriormente por casos de violência doméstica. Também constam registros de questionamentos envolvendo sua atuação profissional no passado, incluindo processo administrativo sigiloso na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).

“Não interessa se ele é amigo ou aliado político da prefeita. O que interessa é que pessoas com histórico de violência não podem permanecer exercendo funções públicas de liderança”, declarou.

Luiza também lembrou que, enquanto vereador, Sandro Benites chegou a responder por crime relacionado ao atentado à democracia, após defender intervenção militar durante o exercício do mandato. Segundo a parlamentar, ele acabou derrotado nas urnas posteriormente.

“O povo não tolera perfis violentos na política. Violência em casa, violência nas relações profissionais e violência contra a própria democracia. Quem defende a ruptura do Estado Democrático de Direito e acumula denúncias graves não pode ser premiado com cargos públicos”, afirmou.

A vereadora ainda aponta informações disponíveis no Portal da Transparência do Município indicando que o secretário mantém familiares ocupando cargos comissionados na Prefeitura, com salários elevados.

“Há indícios de negociatas políticas envolvendo cargos públicos. A administração municipal precisa dar explicações à sociedade”, disse.

A vereadora também ressaltou a importância de proteger e acolher a vítima em situações de violência doméstica, garantindo que ela tenha segurança para buscar apoio institucional e judicial. Para Luiza Ribeiro, causa indignação o fato de que, logo após o registro da ocorrência e do pedido de medida protetiva, a mulher apontada como vítima tenha sido exonerada do cargo comissionado que ocupava na Câmara Municipal de Campo Grande. “Quando uma mulher denuncia violência, o poder público precisa assegurar proteção e apoio, nunca criar situações que possam gerar constrangimento, retaliação ou agravamento da sua vulnerabilidade. É fundamental que as instituições atuem com responsabilidade para garantir a integridade e os direitos das vítimas”, afirmou.

Por fim, Luiza Ribeiro reiterou a cobrança por providências imediatas. “Exigimos a exoneração imediata de Sandro Benites. Campo Grande não pode normalizar a presença de pessoas acusadas de violência contra mulheres no comando da administração pública, ainda mais no mês em que reafirmamos a luta por respeito, dignidade e justiça para todas”, concluiu.

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