O Brasil volta os olhos para o julgamento do assassinato da vereadora Marielle Franco, executada em 14 de março de 2018, no Rio de Janeiro, ao lado do motorista Anderson Gomes. O crime, que chocou o país e ganhou repercussão internacional, é reconhecido como um feminicídio político, um ataque direcionado não apenas à mulher, mas à sua atuação firme na defesa dos direitos humanos, das mulheres, da população negra e das periferias.
Cinco homens são acusados de serem os mandantes do crime, todos ligados a estruturas de poder político e econômico. Para a vereadora Luiza Ribeiro (PT), o julgamento representa um momento histórico para a democracia brasileira.
“Marielle foi assassinada por ser quem era e pelo que representava. Uma mulher negra, eleita pelo povo, que enfrentava interesses poderosos e denunciava abusos. Esperamos a condenação dos cinco homens acusados de mandar matar Marielle. A impunidade não pode prevalecer”, afirma Luiza.
A parlamentar destaca que o caso simboliza a face mais cruel da violência política de gênero, prática que atinge mulheres que ocupam espaços de poder e decisão. “Não é apenas um crime contra uma pessoa. É um recado violento contra todas as mulheres que ousam disputar e exercer poder. Quando homens brancos, com histórico de influência política e práticas corruptas, se articulam contra uma mulher que lutava pela dignidade e pelos direitos das pessoas mais vulneráveis, estamos diante de um ataque direto à democracia”, pontua.
Marielle Franco era socióloga, ativista de direitos humanos e uma das vozes mais combativas da Câmara Municipal do Rio. Sua trajetória foi marcada pela defesa das mulheres, da população negra, das comunidades periféricas e pelo enfrentamento à violência policial.
Para Luiza Ribeiro, a condenação dos acusados é fundamental para afirmar que o Brasil não tolera crimes políticos, nem a tentativa de silenciar mulheres por meio da violência. “Que este julgamento seja um marco contra a violência política de gênero e uma resposta clara de que mulheres na política não serão caladas”, conclui.